Em um discurso marcado por autoelogios ao desempenho do governo federal no combate aos efeitos da crise econômica mundial no país, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o Brasil terá que esperar mais três ou quatro anos para ver o déficit nominal (diferença entre arrecadação e despesas do governo, inclusive gastos com pagamento de dívida e juros) chegar a zero.
De acordo com ele, a expectativa no governo era atingir essa meta em 2010, mas por conta da recessão mundial e da necessidade de novos investimentos para recuperar a economia, a meta terá que ser postergada.
"Devemos encerrar o ano com um déficit nominal de 2,1%", afirmou o ministro. "Nossa intenção era chegar próximo de zero este ano, mas teremos que esperar um pouco mais", disse Mantega, durante a cerimônia de premiação do "Valor 1000", ontem, em São Paulo.
A postergação da meta, na visão do ministro, é reflexo das políticas anticíclicas implementadas pelo governo para que a economia brasileira sofresse menos e se recuperasse mais rapidamente da retração registrada no último trimestre. De acordo com ele, o Brasil foi o país que menos investiu em medidas para recuperação econômica entre os integrantes do G-20 e, também, aquele que mais rápido sairá da crise.
"A China investiu 13% em medidas contracíclicas e os Estados Unidos mais de 5%", afirmou o ministro." O Brasil, por sua vez, aplicou menos de 1% e já estamos crescendo " , disse o ministro usando o Produto Interno Bruto (PIB) como medida de comparação. De acordo com Mantega a previsão do governo é que a economia brasileira tenha se expandido entre 1,6% e 1,7% no segundo semestre deste ano. "E já tem gente do mercado prevendo 2%, estão mais otimistas que o ministro da Fazenda."
Mantega atribuiu o fato de o Brasil estar "comemorando o fim da crise" por conta de o país ter conseguido se manter sólido nos principais fundamentos econômicos nos últimos anos. "Entramos na crise sem desequilíbrios macroeconômicos, ao contrário de muitos dos países desenvolvidos, que estavam fazendo a festa do consumo" , disse
Para o ministro da Fazenda, o fato de o Brasil ter diversificado seus parceiros comerciais foi fundamental para que a crise, no país, fosse mais curta." Não ficamos dependentes, como o México, trouxemos novos parceiros e acumulamos reservas", afirmou Mantega. De acordo com ele, quando o Brasil entrou na crise financeira, em outubro de 2008, o país tinha reservas de US$ 205 bilhões e, hoje, conta com cerca de US$ 212 bilhões acumulados.
O ministro da Fazenda voltou também a elogiar o papel dos bancos públicos na recuperação do crédito e, sem a mesmo ênfase de dias atrás, cutucou os bancos privados. "Enquanto o sistema financeiro privado ampliou em 2,5% a oferta de crédito nos últimos meses, os bancos públicos ampliaram o crédito em 45% ", afirmou.
Fonte: Economia.uol.com.br